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Sexta-feira, Outubro 19, 2007
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Interessante como a vida da gente de uma hora pra outra dá uma virada sem tamanho! Domingo recebi a notícia da morte de uma amiga. Na verdade, irmã de uma amiga, mas como eu vivia na casa delas, acabei me aproximando dela também. Causa? Suicídio. Isso que me deixou completamente desnorteada. Raiva, até. Dela, por ter feito isso, apesar do problema de depressão e angústia que ela tinha, mas também raiva de mim mesma. Eu passei um ano desempregada e não tive a capacidade de dar um pulinho na casa dela, pra dizer "oi! Se precisar, estou aqui". Fiquei tão absorvida nos meus próprios problemas - imbecis, até - e não fiz um simples gesto. Ela provavelmente nunca ligaria pra mim, pois até pra pedir cds emprestados, ela pedia pela irmã. Também se ligasse, tenho consciência de que não mudaria a cabeça dela (ela já havia tentado algumas vezes). A família não conseguiu, a psiquiatra não conseguiu, quem sou eu? Liguei para mais duas amigas que andavam com elas e contei. Depois, acabei chorando na cozinha. Uma mistura de tristeza e da raiva. Acho que até um pouco de culpa. Depois, resolvi ir correndo pra casa delas. Era o mínimo que eu poderia fazer. O corpo já não estava mais lá (enforcou-se no banheiro), mas minha amiga estava, os pais delas estavam. E os outros irmãos também. É triste. Não se tem o que dizer, mal se sabe o que fazer. Só escutei o que minha amiga falava. Ela não esperava isso da irmã.
Velório e enterro foi outra coisa triste. Capela do cemitério lotada. Nem sei se ela sabia que era tão querida assim. Não tive coragem de chegar perto do caixão. Pra que? Prefiro a lembrança dela viva, quando fazia piada com as coisas da vida. Vivia num entra e sai de regime sem parar - mal de todas a mulheres - só que antes de entrar, fazia uma despedida e ia pra pizzaria. Contava isso com orgulho. Era uma meninona. Meio sem juízo às vezes, mas gente boa. Difícil imaginá-la depressiva.
Quando soube da depressão, não levei muito em consideração. Hoje em dia, todos usam a palavra depressão pra qualquer tristeza boba. Achei que fosse mais um desses usos errados. Acho que por isso tenho tanta raiva. Elas moram perto de onde minha mãe mora, era só atravessar uma rua e chegava lá. E nunca fui. Tarde demais.
Tá meio cedo, mas acho que já aprendi uma lição - de um modo muito cruel: não me importar mais com coisas pequenas e - principalmente - pessoas pequenas. Dessas que sentem raiva e/ou inveja ou te tratam mal sem motivo algum. Antigamente, eu me deixava afetar. Agora? É o famoso f*da-se! Não importa quem seja ou de onde conheça. Não vou perder meu tempo com esse tipo de gente.
Tenho que me importar com meu marido, meus irmãos, meus pais - que apesar das brigas, das confusões e dos erros, eu os amo muito.
Devemos aproveitar cada coisa boa que acontece com a gente e tirar lições das ruins. Devemos procurar sempre aqueles que nos amam e nos fazem bem e ignorar os pobres de espírito.
La vie est trop courte. Demain, ne sait jamais!
postado por: Claudia Draper 12:13 AM
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Perfil:
Cognome: Claudia Draper Sim, baseado na personagem de filme homônimo
Idade: 33
Signo: Gêmeos
Estado Civil: Casada
Estado de Humor: Animada (com meu marido) e estressada (com pessoas inconvenientes as quais sou obrigada a conviver)
Profissão: Analista de Testes
Hobbies: Fotografar, viajar e muita música.

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